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28/10/2009

I’m only sleeping
The Beatles

When I wake up early in the morning
Lift my head, I’m still yawning
When I’m in the middle of a dream
Stay in bed, float upstream

Please don’t wake me
No don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

Everybody seems to think I’m lazy
I don’t mind, I think they’re crazy
Running everywhere at such a speed
Till they find there’s no need

Please don’t spoil my day
I’m miles away
And after all
I’m only sleeping

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time

Lying there and staring at the ceiling
Waiting for that sleepy feeling

Please don’t spoil my day
I’m miles away
And after all
I’m only sleeping

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time

When I wake up early in the morning
Lift my head, I’m still yawning
When I’m in the middle of a dream
Stay in bed, float upstream

Please don’t wake me
No don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

21/10/2009

“A noite tem um silêncio que me dá mais vontade de falar. Pena que todos estão dormindo. ” Fabrício Carpinejar

21/10/2009

Alberto Caeiro
XIII – Leve

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

20/10/2009

“Assim, aqueles que se juntam durante as noites e se entrelaçam em uma volúpia agitada fazem um trabalho sério, reúnem doçuras, profundidade e força para a canção de algum poeta vindouro que surgirá para expressar deleites indivisíveis.” R.M. Rilke

1

18/10/2009

16/10/2009

TODA DESPEDIDA É FALSA
(trágico é que alguns acreditam)

Por Fabrício Carpinejar

Tensionados, não existe escolha, existe precipitação. Alguém pedirá para sair.

Estamos os dois adoecidos, nenhum tem condições para ajudar o outro. Seu jeito de ser cuidada é diferente do meu jeito de ser cuidado.

Vou remando as bordas da camisa. Minha lentidão é despedida. Quando todo gesto se torna relevante por ser irrelevante. Não desloco os cotovelos porque os músculos argumentam que não vale a pena. Demoro nos movimentos singelos como levantar a xícara de café. Ele já esfriou e não sofro com isso. Não sofro com coisa alguma. O maior sofrimento é não sofrer. É quando não há nem mais ânimo para sofrer. E conhecemos a apatia da dor, um cansaço inacreditável e resta a canção sem a letra, resta a vontade do poema e sua desistência. O pensamento vem e apago. Não me interessa apanhá-lo. Passo a ser meu único leitor. Não tenho esperança de que ficará emocionada, que me avisará que foi um susto desnecessário e me acalmará para dormir em seguida.

Maravilho-me com seus cílios e não comento. Maravilho-me com suas pernas brancas, os joelhos lisos, e não sopro nada. Maravilho-me com sua boca graúda e não me inclino a acompanhá-la. Beijar é andar de lado no cavalo.

Permaneço sentado nas mãos. Solteiro dos anéis que não vieram. Se chover, então, vidro-me na varanda sem mexer o tronco. Torço para que a chuva demore. Não suportaria os conselhos das calhas.

Sou a completa anulação de sentido para me movimentar. Espero que pule da dor para me abraçar. Que tome uma atitude, que não me magoe. Mas sei que o entusiasmo é frágil. Podemos supor que estamos recuperados e logo afundaremos novamente no delírio. A cabeça nos engana e as pernas não mandam os últimos boletins.

Repare que o soro fala devagar como a gente nesta hora. Tão devagar que engolimos de volta a pronúncia, o soluço, o sim.

Acordei desejando mandar flores. O mesmo arranjo que enviei na primeira vez. Iria colocar junto sua canção de Ella Fitzgerald. Recuei de bobo. Achei que não mudaria nossas dificuldades.

Pensei em buscar um prato bem bonito do seu restaurante favorito e deixar em seu trabalho, já que não que terá tempo para almoçar. Mas retrocedi de novo. Achei que não contaria com tempo para agradecer.

Acovardo-me de gentilezas. Falta a esperança de que serão compreendidas. Ou que me procure com meus apelidos pelo caminho salteado do jardim.

Chegamos ao caroço, onde os temperamentos se definem, onde não há mais a concessão dos primeiros meses. A carência é um caroço. Por isso é duro atravessar. Não é mais aquela facilidade da polpa, de atravessar com o embalo do suco. É agora que seremos pedras num canto ou seremos raízes.

Arrebento-me de arroubos, arrebatamentos. Mas a realidade é longe de minha casa. Não há amigo que me transmita o que tenciono escutar, que arranque o pessimismo poroso das folhas. Anseio por algum médico que nos avise que temos poucos meses de vida; é o suficiente para reunir as forças.

Você é intensa, mas sua intensidade não costura para fora. Eu sou intenso, mas minha intensidade costura para fora antes mesmo de comprar os tecidos. Sei que não entendo nem metade do que já sentiu por mim. Por absoluta ausência de comunicação. Sei que não entende nem metade do que sinto por você. Por absoluta ausência de paciência. Eu preciso ouvir, você não precisa falar, nos amamos desinformados.

Maldita chuva que começou. Os relâmpagos são gravatas azuis em terno escuro. A sobriedade das sobras. A chuva sempre está vestida para velório. A chuva lava bagunçando. Deixa tudo mais sujo. Muito mais verdadeiro.

Pretendia dizer que

A solidão é cheia de boas intenções.

14/10/2009

Nos rendez-vous c’est pas comme dans les films et ça fait rire les pigeons…

28/08/2009

“Não há realmente desculpas por eu ter desperdiçado seu tempo – comecei. Na verdade, não tenho planos, nem projeto a propor. Contudo, não foi para bancar o tolo que entrei aqui. Há ocasiões em que se deve obedecer aos impulsos. Mesmo se isso lhe parecer estranho… depois de tudo o que lhe contei da minha vida… eu acredito, no entanto, que possa haver um lugar para um homem como eu neste mundo…”
Nexus – Henry Miller

conto

25/08/2009

Eu já tinha publicado este conto, hoje reli e resolvi publicar de novo, porque cada vez que leio acho mais foda.

Quando cheguei no bar, naquela tarde, ela já me esperava, aparentemente há algum tempo_ uma garrafa de cerveja jazia pela metade_ e sem ansiedade alguma. Assistia a um noticiário na TV e fumava um cigarro. Quando entrei, como se pressentisse minha presença, olhou para trás, viu-me, e sorriu discretamente voltando a olhar o televisor. Arrumou os cabelos, como quem não tivesse mais o que fazer nos segundos de espera entre eu na porta e eu ao seu lado., e talvez para me lembrar de que era mulher, penso eu.
Cumprimentei-a. Estava irrequieto, mas isso é algo que só agora, retrospectivamente, vejo com clareza.
Como sempre, minha amiga parecia bastante animada e confiante. Era comum que ao lado dela sentisse que sou daqueles homens que sofrem sem necessidade; sua forma pacífica e despreocupada de lidar com os acontecimentos me despertava uma incerteza profunda sobre a legitimidade de sua alegria. Desde sempre achei que o sofrimento fosse sinal de amadurecimento, que não levar as coisas a sério era uma evasão, uma fuga. Mas a ela estas filosofias não pareciam atingir, ainda que fosse alguém muito inteligente.
Pedi um copo. O que eu queria era mesmo dizer o quanto estava puto com a Suzana, chamar aquele velho de careca escroto, talvez agarrá-la pelos cabelos só por vingança. Mas não podia; aprendi, ou julgava ter aprendido como grande ensinamento, que é no comedimento e parcimônia que se encontram os atos mais sábios. E que, ainda que nos custe uma repressão inefável, é nos gestos mais sutis que se demonstra superioridade e calma.
Perguntei como ela estava. Ela me disse que ia bem, trabalhando muito. Como uma puta no carnaval, foi a expressão que usou, e que me fez rir. Uma vulgaridade desculpada. Fiz mais uma ou outra pergunta. Enquanto gesticulava para que o garçom nos atendesse, ela quis saber de mim:
_ E você querido, como anda?
_ Eu vou indo.
_ Aonde?
_ Como?
_ Vai indo aonde?
_Ah… Não é… É que eu e a Suzana, sabe, não sei, tá meio complicado.
_ Vocês brigaram.
Não foi uma briga, era isso que eu queria dizer, era isso que tentei dizer entre um gole e outro. A Suzana nos últimos tempos tinha dado para acusar-me, com freqüência, de ser infantil. Um dia, por ocasião de uma crise de ciúme, chamou-me mesmo de fraco, e virou-me a cabeça quase me dando um tapa com seu rabo de cavalo. Suzana tem cabelos pretos e bem grossos, e anda, comumente, com roupa de ginástica.  O problema, eu estava certo, no entanto, era com ela. Estava insegura quanto ao futuro, vivia ansiosa e tomava vez ou outra um Rivotril. Não era assim que se resolviam as coisas, eu tentei alertá-la, mas ela já não me ouvia.  Por fim, numa sexta-feira, demorou a atender o celular, depois atendeu muito incomodada e disse que estava na Ioga, que não ia deixar o celular ligado na Ioga, que ninguém deixava o celular ligado na Ioga. Não fosse o bastante chamou o professor de Estética, um senhor de quase sessenta e sem cabelos, para um café. Quando cheguei para pegá-la, estava rindo. O que tem a dizer de engraçado um professor de Estética?
Ela ouvia cuidadosamente. Sua atenção era tanta, que por alguns momentos sentia que era, apesar de uma atitude muito nobre, uma desproporção.
Quando fiz uma pausa, esticou os olhos e suspirou.
Talvez fosse falar alguma coisa, mas eu a interrompi porque lembrei de acrescentar algo muito importante.
_ E eu respeito muito a Ioga. Fiz um curso de Budismo, uma vez, lá na faculdade. Eu sei que não dá para deixar o celular ligado, não foi isso que quis dizer. E também não tenho nada contra o professor de Estética. Tirei oito num trabalho dele, ele me adorava. Eu me formei dois anos antes dela, ela esquece que não sou nenhum idiota.
E fui me inflando. Tomava fôlego,. Estava agora convicto. Eu era um puta de um homem, um intelectual, trabalhador e politizado. Quando eu a conheci, alguns anos antes, parecia ser tudo de que ela precisava.  E se ela terminasse comigo haveria outras mil que me quereriam, outras mais maduras, menos meninas, com menos fogo no rabo, foi a imagem que me veio.
Minha amiga ficou mole na cadeira, de repente, como quem estivesse com preguiça de comentar o caso.
Eu parei por um instante. Ela bebia cerveja mais rápido do que eu.
_ E o plano de morar junto, não deu certo?
Eu havia comentado com ela que eu e a Suzana queríamos alugar um apartamento. Fiquei um pouco envergonhado.
_ É que com tudo isso…  E eu estou meio sem emprego, sem nada fixo, eu quero dizer, estou sempre fazendo alguma coisa, mas não dá para contar isso.
_ Sei. Meu apartamento está uma gracinha. Fica aqui do lado. É espaçoso, mas não tem vista. Sabe como é, não se pode ter tudo. Você toma mais uma?
Claro que eu tomava. Agora, no auge de minha indignação, sabendo que estava sendo injustiçado, que estava me passando por ridículo, não voltaria para casa tão cedo. Nunca mais talvez. A Suzana ia ver só.
Precisei ir ao banheiro.
Já no caminho comecei a pensar em uma série de coisas inteligente para dizer. Coisas ao meu respeito, coisas que provavam que não sou infantil, que tenho personalidade, cultura.
Lembrei-me então de uma história maravilhosa que ia mudar todo o rumo da conversa. Fiquei animado e corri de volta à mesa.
Tentei disfarçar que já vinha com algo pronto do banheiro.
_ O que está passando na Tv?
_ Os gols da rodada_ E ficou toda graciosa_ Adoro futebol!
_ Mas então, é complicado. A vida é mesmo uma merda, né?_ Eu sorri.
Eu lembrei de uma coisa que acho que ilustra bem o que sinto. Você já leu Esopo? (Neste momento acho que riu um pouco, não sei ao certo). Então, tem uma fábula, não lembro agora o nome. Mas é uma em que os carvalhos dizem a Zeus:
_ De que adiantou nos dar a vida? Estamos muito mais expostos a morrer sob o machado do que as outras árvores. Estavam reclamando, sabe? Então Zeus respondeu: “Vocês mesmos são os responsáveis sobre sua desgraça. Se não produzissem os cabos dos machados, e não fossem úteis aos carpinteiros, não seriam abatidos”, ou algo assim. O moral é assim, “Não acuses os Deuses…” como é que é mesmo? “Não acuses os Deuses pelos males por que és responsável”. Entendeu?
Ela olhou-me fixamente nos olhos. Sorriu. Acedeu mais um cigarro. Com a voz sufocada de fumaça na boca, disse: _Olha_ e soltou a fumaça, que foi indo, indo, deixando o ar todo enevoado. E recostou o corpo pra frente como se fosse me contar um segredo.
_ Eu vou agora lhe contar uma história. É sobre um elefante e uma formiga.
Fiquei excitadíssimo.
_ Um elefante e uma formiga conviviam na natureza. Um dia, por um motivo qualquer, contrariaram-se. Inevitavelmente entraram numa briga. Adivinha quem ganhou?
Então vamos lá, pensei eu, o elefante, a formiga, conviviam na natureza, ela disse…
E fui interrompido pela resposta.
_ O elefante.

Autora: Milena Carasso

são genésio

25/08/2009

22/08/2009

19/08/2009

O mar anda tão distante que por vezes me olvido do som que faz.
Lembro que eu passava a arrebentação e mergulhava lá no fundo para sentir o geladinho das correntes frias que passam no sentido contrário das ondas. Ficava imaginando que se eu seguisse estas correntes iria parar em alto-mar, junto com os tubarões e todos os bichinhos estranhos que habitam os oceanos. Eu iria me tornar um deles. Um bicho estranho do oceano envolto de água salgada, assim como num choro triste se fica. Lá no mar, eu boiava tranquilo também. Depois do mergulho, eu subia para a superfície, respirava fundo e me quedava ali mirando o céu azul e calculando quando tempo tardaria para que eu fosse levado pela corrente, ou até a areia ou para alto-mar. Quando se está flutuando os ouvidos ficam submersos e é possível apenas escutar aqueles sons de fundo do mar.
Uns estalos.

19/08/2009

Tem uma música nova que fica tocando dentro da minha cabeça. Eu não entendo a letra desta música, nem sei se quero entender. Eu quero apenas que ela toque na minha cabeça, sem que eu tenha que pegar meu violão e ficar vibrando as cordas com meus dedos. Eu quero apenas que ela toque aqui na minha cabeça, sem que eu tenha que cantar o refrão e todas as estrofes infinitas.

Um pintor

04/07/2009

Um pintor decorador, mas que não trabalhava mais porque começou a beber. E como a maioria das pessoas tristes e sensíveis, que começam a beber, virou alcóolatra, e ficou mais triste. Mas era também pintor, além de pintor decorador. E pintava bonito, pintava sensível. Não que tivesse grande técnica, nem que fosse um gênio autodidata, mas pintava bonito, pintava sensível.
Como as pessoas que bebem era só. Vivia só. Como as pessoas que bebem tinha dezenas de amigos, na grande maioria amigos noturnos, amigos bêbados. Como as pessoas que bebem precisava de amigos, mas na verdade, não tinha amigos. Buscava desesperadamente o contato, buscava afeição e carinho. Queria mais do que tudo no mundo ser ouvido, ser entendido, cuidado, mas sabia bem que ninguém o entendia, em parte porque falava enrolado, misturava as idéias e os assuntos, em parte porque os que o ouviam também eram sozinhos e também queriam desesperadamente ser entendidos.
Era chato como as pessoas que bebem, e muito inconveniente. Era repetitivo e não tinha limites. Era feio como as pessoas que bebem, ainda que guardasse um mínimo de higiene e de cuidado com suas roupas e seu visual, o que o tornava ainda mais patético.
E tinha sido abandonado pela mulher há alguns anos, como as pessoas que bebem. E via cada vez menos os filhos, que estavam crescidos, e que tinham pena do pai, mas que também tinham vergonha do pai, e que também tinham uma vida própria, e que também tinham angústias e momentos obscuros e procuras desesperadas, como as pessoas.
E morava num apartamento pequeno, que dividia ora com um amigo, ora com outro. E não conseguia pagar o aluguel como as pessoas que bebem, apesar do seguro desemprego. E dormia muitas vezes fora de casa e às vezes na rua. E às vezes acordava machucado, escoriado, esfolado. E perdia moedas e documentos, como as pessoas que bebem.
E tinha os olhos sedentos quando via mulheres. E tinha o dom de falar delas como se fizesse poesia e falasse de anjos. E não tinha mais ereções e não dava mais beijo de língua.
E tinha os dedos amarelos e as unhas pretas, e tinha dores de estômago e de cabeça intermináveis. E tinha os dentes feios e cada vez mais escassos, e tinha hemorróidas e diabetes. E tinha o coração inchado e o fígado enferrujado. E tinha um projeto de câncer que daria um jeito em toda a bagunça, em segredo, sorrateiramente.
E tinha lembranças lindas que não queria lembrar.
E tinha telas lindas de mulheres redondas nuas ou seminuas, e tinha telas lindas de maçãs ou laranjas ao lado de um vaso, e tinha telas lindas de um senhor calvo e muito bem vestido, e tinha telas lindas de uma paisagem da região de Sartre.
Era um pintor decorador, mas que também era um pintor, simplesmente pintor, e pintava bonito e pintava sensível, e tinha telas lindas empilhadas num canto do quarto, entorpecidas pelo cheiro de cachaça.

Daniel Carasso

17/06/2009

“…The female that loves unrequited sleeps,
And the male that loves unrequited sleeps;
The head of the moneymaker that plotted all day sleeps,
And the enraged and treacherous dispositions sleep.

I stand with drooping eyes but the worstsuffering and restless,
I pass my hands soothingly to and fro a few inches from them;
The restless sink in their beds…they fitfully sleep.

The earth recedes from me into the night,
I saw that it was beautiful… and I see that what is not the earth is beautiful.

I go from bedside to bedside… I sleep close with the other sleepers, each in turn;
I dream in my dream all the dreams of the other dreamers,
And I become the other dreamers.

I am a dance… Play up there! the fit is whirling me fast…”


Trecho de Folhas de Relva – Walt Whitman

10/06/2009

Para não se fazer ouvir, recolheu-se calmamente da sala. Calado, naquela situação, não saberia permanecer. Conhecia bem seu ímpeto voraz de argumentação. No entanto, estava começando a aprender a calar-se e aquele era o momento de colocar em prática tal aprendizado. Caminhou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou uma cerveja e recostou seu corpo na pia. Permaneceu calado bebendo aquela lata por uns 2 minutos, voltou para a sala e desandou a falar.

14/05/2009

“Eu me arrependo de dizer o que penso quando deveria dizer o que sinto.”

03/05/2009

1

28/04/2009

18042009481

Guaecá

05/03/2009

sobreviência
se falamos sobre a vivência
se é sorrateiro
sou um rato num ratoeiro
é uma parede
ou um par na rede
talvez maldição
audição má
ou o calor
pra calar a dor
se deus
são vários eus
se o coração então
é dar cor à ação
e a criatividade
criar atividade
e tudo pode ser apenas
há penas
na desfiguração da etimologia.

05/03/2009

leve, muito leve
tão leve que o vento leva
sem resistência
a folha
do ar é bailarina
leve, tão leve
que não leva consigo
nem um peso
nem mesmo um terço do peso
pois é leve como o fogo
que é calor, que calou
leve, mesmo lendo
pausadamente
mesmo sendo sem pensar
é leve
revele ou releve
é leve.

05/03/2009

vale o âmago
da poesia triste
vale a tristeza
do amor do poeta.

05/03/2009

Doem os ossos
A pele já não há
Resta a alma inquieta
Resta o resto do nó.

06/02/2009

money

15/01/2009

17/12/2008

I do not ask who you are…that is not important to me,
You can do nothing and be nothing but what I will infold you.

Walt Whitman

Leaves of Grass

16/12/2008

Semana passada, ganhei um livro de presente. Eu ganhei um presente comprado na hora e entregue em mãos num bar. Inesperado. Fazia um tempão que não ganhava um presente, fiquei feliz. O livro é o Folhas de Relva do Walt Whitman. O legal é que é uma edição bilíngüe feita em comemoração aos 150 anos da primeira edição do livro – é a tradução integral deste clássico. Alguns trechos….

I celebrate myself,
And what I assume you shall assume,
For every atom belonging to me as good belongs to you.

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All forces have been steadily employed to complete and delight me,
Now I stand on this pot with my soul.


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I believe in the flesh and the appetites,
Seeing hearing and feeling are miracles, and each part and tag of me is a miracle.


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Loafe with me on the grass… loose the stop from your throat,
Not words, not music or rhyme I want…not custom or lecture, not even the best,
Only the lull I like, the hum of your valved voice.

12/12/2008

“canto somente o que não pode mais se calar”

festa dia 23 – Campos9

12/12/2008

Ontem fiz o primeiro flyer de divulgação da festa que faço com meus amigos todo final de ano, há 9 anos. Taí!

Lua Cheia

12/12/2008