ITCH – O novo blog da Ambulance está NO AR!
Estamos lançando o novo blog da Ambulance (agência que trabalho).
Abaixo uma animação bem classe que foi postada lá esses dias.
ITCH – O novo blog da Ambulance está NO AR!
Estamos lançando o novo blog da Ambulance (agência que trabalho).
Abaixo uma animação bem classe que foi postada lá esses dias.
33a Mostra Internacional de Cinema
Tava dando uma olhada no site, tem uma porrada de filmes rolando em várias salas de SP. Começa na 6a feira e vai até o dia 05 de Novembro.

Acabei de assistir e achei o filme muito bom. Engraçado que só me dei conta agora, depois que terminou, que o casal protagonista é o mesmo do Titanic. Leonardo diCaprio e Kate Winslet. Não que tenha alguma coisa a ver com o Titanic, mas passados vários anos, lá estão eles protagonizando mais um filme emocionante. A história se passa na década de 50 em uma cidade americana. Na verdade, não importa. Prefiro apenas indicar e dizer que gostei do filme. Sinopses são (e devem ser) muito superficiais e, mesmo as bem escritas acabam limitando e influenciando a apuração, ou melhor, a degustação do expectador. Portanto, poupo os meus poucos leitores de um resumo primário e apenas deixo aqui a recomendação. Assistam!
2 filmes que vi hoje:
4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile
(Romênia – 2007)
Filme do diretor Cristian Mungiu, ganhou Palma de Ouro em Cannes 2007. Tema pesado, filme meio escuro, mas curti.

Entre les Murs
(França – 2008)
Filme do diretor Laurent Cantet, ganhou a Palma de Ouro em Cannes 2008. O filme se passa todo dentro de uma escola da periferia parisiense. Alunos adolescentes e de diferentes etnias – seria um prato cheio para cometer a cagada de cair em um discurso apelativo e politicamente correto. Pois não, o filme é bonito e aborda de maneira sensível estas questões.


Ontem assisti Camino de Javier Fesser. Puta filme triste, que isso!? Triste, porém belo, muito belo. O filme ganhou 6 prêmios Goya, o Oscar do cinema espanhol. O filme é polêmico e choca com as questões dos dogmas religiosos. Achei a atuação da protagonista, uma garotinha linda de uns 11 anos, incrível! Recomendo, taí!

Ontem vi o último filme do Charlie Kaufman, Synecdoche, New York. Achei muito bom, o filme é bem louco e a atuação do Philip Seymour Hoffman é genial!
Eu tinha visto todos os filmes do diretor e tinha gostado muito, principalmente de Eternal Sunshine of the Spotless Mind e Being John Malkovich, mas este supera os anteriores.
Synecdoche, New York é um tanto confuso, um filme cheio de metonímias, símbolos e referências sutis ou não de obras de outros. O que achei legal é que é o tipo de filme que demora pra ser degustado e digerido, fica na cabeça e vão surgindo variadas interpretações. Uma viagem interessante, pra quem gosta do estilo. Agora vou ver Gran Torino.
Estou escutando aqui os álbuns recentes do AC/DC – Black Ice e do Guns N’ Roses – Chinese Democracy. O Black Ice é bem classe (não tanto quanto Back in Black ou Highway to Hell, claro). Já o Chinese Democracy, por enquanto não convenceu. De qualquer forma, é legal ver os caras na ativa. Show must go on! Abaixo 2 videoclipes clássicos!
O cara quebra. Vitor Araujo é de Recife, tem uns 18 anos e apavora no piano. Mistura música erudita e contemporânea da forma que bem entende. Lançou seu primeiro álbum este ano; TOC – Ao vivo no Teatro de Santa Isabel. Vi uma entrevista do Chico Pinheiro com ele e fui atrás do álbum. Abaixo uma versão dele da música Paranoid Android do Radiohead.
Já que citei o blog do Saramago no post abaixo, cito também o blog do Fabrício Carpinejar, poeta e jornalista. Meu irmão me indicou e gostei muito das coisas que li até agora. Abaixo, dois textos dele.
O desgoverno do riso
Teu riso não é o mesmo riso. Há tantos risos em ti, que ainda não descobri todos. O riso contido, encabulado, que costuma aparecer em restaurantes. O riso desaforado, malicioso, com a proximidade dos ouvidos. O riso choroso, que surge no meio da tristeza e te faz rir e chorar ao mesmo tempo, como uma pane elétrica. O riso materno, de orgulho distanciado, como que perguntando como aquela criança enorme saiu de teus olhos. O riso ao sair do banho, boiando no perfume, mostrando os dentes como seios. O riso fúnebre, do sarcasmo, quando não suportas mais uma conversa e empurra a cadeira e a respiração para trás com barulho. O riso sem graça nenhuma, falso, que aconteceu involuntário e não tinha fôlego para permanecer. O riso esparso, que escreve os olhos em letra minúscula. O riso do gozo, que se levanta com a ajuda dos braços da cama. O riso esticado para fotografia, de pálpebras cerradas. O riso da formalidade, meia boca, de quem não está ouvindo. O riso epilético, da brincadeira, onde as palavras são profecias. O riso de quem não é indiferente a nascer, cúmplice, amigável de sombras. O riso do cumprimento. O riso do aceno. O riso debaixo de um guarda-chuva, minguante, preocupado em não pisar em um rosto. O riso estranho, de não lembrar o nome com quem se está falando. O riso do perdão. O riso do castigo. O riso desigual, que puxa mais o lado esquerdo do que o direito, que entorta a boca como uma aspirina sorvida a seco. O riso que é soluço e demora alguns segundos para voltar. O riso contemplativo, com os lábios comprimidos de mímica e crepúsculo. O riso que é gargalhada, uma pedra sem chegar ao fundo. O riso afônico, como um filme rebobinando. O riso indiferente, que não faz cova, nem enterra o osso do riso. O riso macio, do sono, das pernas esticadas no lençol novo. O riso que é desgoverno da palavra. O riso que gosta e não elogia. O riso da adoração de algum canto. O riso de quem ama tudo e não se mexe. O riso de enganar as intenções da cólica. O riso tardio, que se dá conta bem depois do riso. O riso antecipado, nervoso, antes da hora. O riso da impaciência, apertado como um desejo. O riso da prova, da fugacidade deliciosa. O riso do provador quando a roupa ajuda a esquecer as medidas do corpo. O riso de sobra, de quem encontrou uma vaga para estacionar. O riso da fome, que fica aberto, em sentinela. O riso de quem retém o sopro de um verso. O riso sentado estando de pé. O riso teológico, que promete Deus em causas próprias. O riso que desaprendeu o volume da água. O riso do susto, justamente quando pensava bobagens. O riso que peguei emprestado como um livro e não devolvi e de vez em quando ele ri sozinho dentro de minha boca, sem saber ao certo qual foi dos teus risos.
Conte-me os finais dos filmes
Conte-me os finais dos filmes, eu não me importo. Eu esqueço os finais dos filmes. Nunca guardo o que acontece no enlace. O final do filme é o menos importante. Não entendo como embaralho os finais como se fossem começos. Minha memória não é fotográfica, ela corre a letra e não me entendo depois. O que eu fiz com os finais dos filmes? Os livros me influenciam e não me deixam concluir. Não posso concluir o que adivinho. Eu transformei os finais dos filmes em livros que não escrevi. Gosto que me digam o final antes de assistir o filme. Eu vou esquecer assim que assistir. Conte-me o final de minha vida, eu não me importo. Ciganas, fadas, bruxas não me apavoram. Não vai mudar o que farei. O final da vida não altera meu endereço. Não altera a fome que havia na vida. O ácido da boca. A hortelã da boca. O susto de estar errado. O acerto inesperado. Não vai alterar a ordem da rotina, a ordem da minha higiene: se tomo primeiro o pente, depois a navalha, depois a escova, depois o cortador de unhas. Não vai alterar minha dieta, minha receita médica, a cor de minha língua. Não vai alterar as sete quadras que atravesso para chegar ao banco, o modo de discordar da luz. Não vai alterar o cheiro da grama com a chuva. A impureza dos ouvidos. Não vai alterar a reposição da aguardente no bar. O suor das árvores. A manchete do jornal que não lerei. Conte-me o final do livro. Não vai alterar o desejo feito de começos. O começo do desejo no desejo. As tardes lentas do domingo. Os cabelos lentos da filha. Não vai alterar o modo como viro a página, o modo como troco de assunto. Não vai alterar a floresta reduzida a um ninho. O ninho reduzido a uma asa solteira. Não vai alterar a evaporação das uvas. O número de amigos. Não vai alterar o horário das missas, dos cinemas, do nascimento. O final do livro não vai alterar o autor e sua insuficiência. Não vai alterar o que não se enterra no final.
O blog chama-se O caderno de Saramago .
O texto copiado abaixo eu extrai do blog. É sobre o livro Budapeste do Chico Buarque. Eu curti muito o livro, mas ouvi muitas críticas ruins de outras pessoas que leram.
Chico Buarque de Holanda
Outubro 21, 2008
Haverá universos paralelos? Perante as variadas “provas” apresentadas ao tribunal da opinião pública pelos autores que se dedicam à ficção científica, não é difícil acreditar que sim, ou, pelo menos, estar de acordo em conceder à temerária hipótese aquilo que não se nega a ninguém, isto é, o benefício da dúvida. Ora, supondo que realmente existam esses tais universos paralelos, será lógico e creio que inevitável ter de admitir igualmente a existência de literaturas paralelas, de escritores paralelos, de livros paralelos. Um espírito sarcástico não deixaria de recordar-nos que não se necessita ir tão longe para encontrar escritores paralelos, mais conhecidos por plagiários, os quais, no entanto, nunca chegam a ser plagiários de todo porque alguma coisa da lavra própria se sentem na obrigação de pôr na obra que assinarão com o seu nome. Plagiário absoluto foi aquele Pierre Menard que, no dizer de Borges, copiou o Quixote palavra por palavra, e mesmo assim o mesmo Borges nos advertiu que escrever o termo justiça no século XX não significa a mesma coisa (nem é a mesma justiça) que tê-la escrito no século XVII… Outro tipo de escritor paralelo (também chamado nègre ou, mais modernamente, ghost) é aquele que escreve para que outros gozem a suposta ou autêntica glória de ver o seu nome escrito na capa de um livro. Disto trata, aparentemente, o romance – Budapeste – de Chico Buarque de Holanda, e se digo “aparentemente” é porque o escritor “fantasma” cujas grotescas aventuras vamos acompanhando divertidos, se bem que ao mesmo tempo apiedados, é tão-somente a causa inconsciente de um processo de repetições sucessivas que, se não chegam a ser de universos nem de literaturas, sem dúvida o serão, inquietantemente, de autores e de livros. O mais desassosegador, porém, é a sensação de vertigem contínua que se apoderará do leitor, que em cada momento saberá onde estava, mas que em cada momento não sabe onde está. Sem parecer pretendê-lo, cada página do romance expressa uma interpelação “filosófica” e uma provocação “ontológica”: que é, afinal, a realidade? o que e quem sou eu, afinal, nisso que me ensinaram a chamar realidade? Um livro existe, deixará de existir, existirá outra vez. Uma pessoa escreveu, outra assinou, se o livro desapareceu, também desapareceram ambas? E se desapareceram, desapareceram de todo, ou em parte? Se alguém sobreviveu, sobreviveu neste, ou noutro universo? Quem serei eu, se tendo sobrevivido, não sou já quem era? Chico Buarque ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame, e chegou ao outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com mestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro.
José Saramago

Ontem fui apresentado ao Samba da Vela. À primeira vista é meio bizarro, parece um culto religioso. Uma roda de sambistas no meio de um salão bem iluminado (mais parece uma tulha) e um monte de gente sentada ao redor com caderninhos na mão cantando os sambas (eles distribuem as letras antes de começar). Não vende cerveja ali. Eu até que estava tranqüilo de beber, mas ela disse que tínhamos que comemorar nosso reencontro, eu achei justíssimo. Busquei no boteco ao lado e trouxe os copos (tem que ser de plástico, senão não entra). Passados 15 minutos já estávamos cantando e adorando tudo aquilo. Um lugar diferente com samba de qualidade e pessoas felizes. Vale chegar cedo, tipo umas 9 da noite para conseguir sentar e pegar os sambas desde o começo. De lá para o Ó do Borogodó. Nas segundas-feiras antigamente no Ó tocava uma banda de chorinho, mas há algumas semanas o chorinho passou a ser às quintas-feiras e nas segundas tem uma banda de samba bem animada. Dancei como não dançava há séculos. O Ó estava bem lotado, mas sempre há espaço para dançar. A noite seguiu até deixar de ser noite. Acordei feliz, com o corpo meio dolorido e uma sensação de paz merecida.

Violeiros do Brasil é um documentário de Myriam Taubkin e Sérgio Roizenblit – “uma viagem musical pelo universo da viola brasileira”. Vi hoje, vale a viagem, é muito bom.
outro dia revi o filme across the universe… eu tinha apagado a trilha sonora completa da minha máquina quando formatei… agora resgatei… as versões das músicas dos Beatles são mto foda… com destaque para 5 delas… across the universe, while my guitar gently weeps, let it be, because e something… bom demais…