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17/06/2009

lobo

Caminho pela noite observando tudo que uma visão limitada permite ver. O faro deste lobo solitário é aguçado, mas fragrâncias desconhecidas confundem o aroma que brota das margaridas com o cheiro dos crisântemos vermelhos. Este Eu, lobo solitário, segue no escuro tateando formas de prazer que me iludem. A Lua já está escancarada, parece nervosa mostrando toda sua ira, refletindo tanta luz. Ela eu não temo, sempre foi companheira da minha solidão e dos meus sonhos, carregou e protegeu-me por léguas sem nunca se queixar ou reclamar do meu silêncio. Talvez leia minha mente, siga meus passos e pensamentos, talvez goste de mim…

do fundo do baú

11/05/2009

asdf

Peguei uma pilha gigantesca e empoeirada de cd’s e estou abrindo um a um. Nossa, são tantas coisas esquecidas, deixadas para trás. Tantas lembranças vindas à tona. Tanto passado. Fiquei pensando muito nisso agora. Nessa nostalgia, por vezes até um sentimento de perda, aquilo que não tem volta. E a vida é assim mesmo. Por isso, talvez eu sempre tenha sido muito ligado ao momento, ao presente, ao que se vive de fato, sem ilusões e demasiada expectativa. O acaso, o instante. Os rumos da vida são decididos em pequenas faíscas de presente. Decisões repentinas, oportunidades momentâneas. Apenas uma linha é traçada, faça o que fizer, sempre existirão variados caminhos a se seguir, mas apenas um será o seu. O que poderia ser nunca de fato será. Os fatos são os responsáveis pelo destino e nunca aquilo que deixou de acontecer, mesmo quando poderia ter acontecido. Confuso o que escrevi, mas é que fiquei confuso ao me deparar com tanto passado. No entanto, contente por ter feito minhas escolhas, certas ou não, e ser que eu sou. Emocionante rever o passado através de textos, fotos, trabalhos feitos e etc. Abaixo uma poesia boba que escrevi há muuuuito tempo e que encontrei em um destes cd’s.

Queria fazer teatro
Tatuar um peixe alado no braço
Queria arrumar meu carro
Parar de fumar tabaco

Queria amar pra valer
E adotar um dog alemão
Queria uma casa na praia
E aprender a tocar gaita

Queria ter um filho
Cantar alto o hino
Acreditar em signo
Saber degustar um vinho

Queria sentir mais sabor
Não pensar só em labor
Queria cheirar uma flor
Sentir na praia, calor

Queria viajar para longe
Mudar um pouco do mundo
Queria saber meu destino
Fumar às vezes um fino

Queria aprender a cantar
Passar mal de gargalhar
Queria uma que me amasse
E que a vida não acabasse.

da gaveta

26/03/2009

snsf

Pequeno conto que fiz faz tempo, não lembro quando, achei aqui…taí!

Saltou da cama atrasada naquela manhã de segunda-feira. Marlene sabia que o atraso renderia uma cagação de regra fenomenal por parte do seu chefe – o Dr. Armando (que diga-se de passagem de doutor não tinha nada).
O ônibus também resolveu demorar nesta manhã, Marlene esperou cerca de 20 minutos até que o 875C passasse. Parecia que tudo estava voltado contra ela. A calcinha apertada estava incomodando como nunca, Marlene já não era mais aquela mulher que “parava tudo” por onde passava, no entanto, tinha a beleza típica das mulheres tristes.

O cobrador, como sempre tarado, não tirava os olhos do decote dela. Se havia uma coisa que ela odiava, era aquele cobrador com olhar de bicho do mato, sedento por uma presa. Realmente o olhar daquele homem era nojento, daqueles que come com os olhos, sem talheres e se suja todo.

Já no elevador, de frente para o espelho, Marlene mirou seu reflexo e pensou em chorar, mas só pensou mesmo, arrumou o cabelo, endireitou o sutiã e a calcinha, ergueu a cabeça e rumou para o escritório, pronta para a cara feia de seu chefe.

- Acabou a luz na sua casa moça? Não tocou o despertador?  Bem, têm muitos telefonemas para você atender, cartas para separar e outras tantas reuniões para você servir o cafezinho. Você sabe, né, sem cafezinho isso aqui não funciona!

- Desculpa Dr. Armando. O despertador tocou, sim. Eu é que estava com uma dor de cabeça chata… Meu domingo foi horrível!

Domingo sempre fora um dia triste na vida de Marlene, além disso, ela estava cansada daquela vida de bosta, um bando de filhos da puta dando ordens e pouco se fodendo se ela estava numa puta depressão, a ponto de lançar-se pela janela do apartamento pequeno, velho e cagado em que vivia.

Marlene, queria quebrar tudo, mandar todos à merda, detonar uma granada contra seu próprio peito, sem se importar se na explosão também morreriam seus colegas escrotos, que nunca lhe tiveram respeito. Porém, ela não tinha forças, a depressão é uma doença cão, derruba até os fortes de alma, no deslize sorrateiro em que surge. A moça estava apática, mas suportou, submersa em seu fim de mundo, todas as 8 horas de batente. Andou até o ponto, esperou e pegou o ônibus. Pelo cobrador, ela não foi notada. Essa mulher Marlene já não existia, estava morta.