um conto qq

By michelccc

redgirl

Ela gostava de transar ouvindo Depeche Mode. Nunca me esquecerei disso. Acendia velas com cheiro por toda casa e deixava sempre uma jarra de água e dois copos no criado mudo ao lado da cama. Morava sozinha em um apartamento grande e super bem decorado no Itaim. Nas paredes havia fotos grandes enquadradas, todas em preto e branco. Eram fotos de paisagens e gente, tiradas nas diversas viagens que fez pelo mundo. Índia, China, Praga, África do Sul, entre outros lugares.

Eu tinha 20 anos naquela época e aprendi muito com aquela mulher. Ela era delicada, inteligente e experiente. Conhecia o mundo todo; manjava de arte, música, sexo e lances espirituais. Ficamos durante uns 6 meses. Na maioria das vezes na casa dela. Era muito sexo, mas não só sexo. Passávamos horas a fio deitados nus, conversando, fumando haxixe e tomando vinho. Ela dizia que não fumava maconha porque dava sono, mas haxixe a deixava numa boa. Eu adorava, naquela época eu ainda fumava e não tinha grana para comprar haxixe e nem sabia onde encontrar.

O que eu achava mais louco é que ela não tinha ciúme algum, nem eu. No máximo ela dizia algo como: Você não vai fazer o que a gente faz aqui com essas meninhas da faculdade, né? E eu dizia: Claro que não, minha linda.
Ela sabia que eu ficava com outras mulheres, já eu nunca quis saber se, durante aquele tempo, ela ficou com outros caras. Eu acho que não, pelo menos, prefiro pensar assim.

Geralmente a gente se encontrava às 5as feiras, mas às vezes também aos Domingos. A última vez que nos vimos foi em um Domingo. Cheguei na casa dela e ela estava com um vestido branco, bem fininho, devia ser seda. Lembro direitinho. Eu fui lá para me despedir. Estava indo passar um ano fora do país. Austrália, a onda perfeita e os saltos de canguru. Ela sabia dos meus planos e me dava a maior força. Na hora que contei que, enfim, tinha comprado a passagem e tudo mais, ela abriu um sorriso triste e disse: Vou te perder para o mundo bonitão, mas estou feliz por você!

A ultima transa foi diferente de todas as outras. Existia uma certa dor, uma saudade antecipada; uma suspeita, que depois se confirmou, de que aquela seria nossa última noite.

Karina, com K. Um cheiro de baunilha que no me olvidaré jamás.

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