do fundo do baú

By michelccc

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Peguei uma pilha gigantesca e empoeirada de cd’s e estou abrindo um a um. Nossa, são tantas coisas esquecidas, deixadas para trás. Tantas lembranças vindas à tona. Tanto passado. Fiquei pensando muito nisso agora. Nessa nostalgia, por vezes até um sentimento de perda, aquilo que não tem volta. E a vida é assim mesmo. Por isso, talvez eu sempre tenha sido muito ligado ao momento, ao presente, ao que se vive de fato, sem ilusões e demasiada expectativa. O acaso, o instante. Os rumos da vida são decididos em pequenas faíscas de presente. Decisões repentinas, oportunidades momentâneas. Apenas uma linha é traçada, faça o que fizer, sempre existirão variados caminhos a se seguir, mas apenas um será o seu. O que poderia ser nunca de fato será. Os fatos são os responsáveis pelo destino e nunca aquilo que deixou de acontecer, mesmo quando poderia ter acontecido. Confuso o que escrevi, mas é que fiquei confuso ao me deparar com tanto passado. No entanto, contente por ter feito minhas escolhas, certas ou não, e ser que eu sou. Emocionante rever o passado através de textos, fotos, trabalhos feitos e etc. Abaixo uma poesia boba que escrevi há muuuuito tempo e que encontrei em um destes cd’s.

Queria fazer teatro
Tatuar um peixe alado no braço
Queria arrumar meu carro
Parar de fumar tabaco

Queria amar pra valer
E adotar um dog alemão
Queria uma casa na praia
E aprender a tocar gaita

Queria ter um filho
Cantar alto o hino
Acreditar em signo
Saber degustar um vinho

Queria sentir mais sabor
Não pensar só em labor
Queria cheirar uma flor
Sentir na praia, calor

Queria viajar para longe
Mudar um pouco do mundo
Queria saber meu destino
Fumar às vezes um fino

Queria aprender a cantar
Passar mal de gargalhar
Queria uma que me amasse
E que a vida não acabasse.

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