13/11/2009 por michelccc

não vejo a hora…

barra

 

13/11/2009 por michelccc

“…e a força nunca seca, pra água que é tão pouca.”

11/11/2009 por michelccc

Há 5 anos não encontro meu amigo chileno Toto – o melhor malabarista que já vi na vida. Ele me ensinou alguns truques em Barcelona, dentre eles, o truque do piga. Achei esse vídeo dele no youtube. Surrealismo o que o cara tá jogando!

 

10/11/2009 por michelccc

Os dois horizontes
de Machado de Assis

Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

09/11/2009 por michelccc

 

04/11/2009 por michelccc

“Miudádivas, pensatempos”
Mia Couto


Estou sem texto, enriquecido de nada. Aqui, na margem de uma floresta em Niassa, me desbicho sem vontades para humanidades. Entendo só de raízes, vésperas de flor. Me comungo de térmites, socorrido pela construção do chão. No último suspiro do poente é que podem existir todos sóis. Essa é minha hora: me ilimito a morcego. Já não me pesam cidades, o telhado deixa de estar suspenso ao inverso em minhas asas. Me lanço nessa enseada de luz, vermelhos desocupados pelo dia.
Nesse entardecer de tudo vou empobrecendo de palavras. Não tenho afilhamento com o papel, estou pronto para ascender a humidade, simples desenho de ausência. Na tenda onde me resguardo me chegam, soltas e díspares, desvisões, pensatempos, proesias. Assim, em miudádivas ao poeta:

A primavera cabe dentro do grilo.
Cigarras se alfabetizam de silêncios.
No liso da parede,
a osga se prepara para transparências,
adquire a forma do nada.
Enquanto o ramo vai transitando para camaleão.

Na mafurreira,
sobem ninhos de arribação, ovos do arco-íris.
A aranha confunde madrugada com sótão,
artefactando materiais de orvalho.
Ela se mantimenta de esperas.
Minha tenda se engrandece a teia.

Uma mosca se inadverte na armadilha.
Igual o amor
que me rouba os mecanismos de viver.

Formigas transportam infinitamente a terra.
Estarão mudando eternamente o planeta?
Estarão engolindo o mundo?

Insectos sonham ser olhados pelo sol.
Mas só a chama da vela os vela.
Já o ovo é iluminado por dentro,
tocado pela luz do infinito.
O ovo repete o total início,
redundante gravidez do mundo.

Por isso, este surpreendido ovo
não tem competência para meu jantar.
Pena o estômago não entender poesias.

Nada se parece tanto: poente e amanhecer.
Defeitos na tela do firmamento?
Instantâneas aves,
pedras que se despoentam.
A noite acende o escuro.
Tudo semelha tudo.
Só a coruja atrapalha a eternidade.

Está chovendo horas,
a água está a ganhar-me semelhanças.
Escuto ventos, derrames de céu.
Parecem-me luas e são lábios.
Lembranças de minha amada.
A tua boca me ilude, sou culpado de teu corpo.
Saudade: sou mais tu que tu.

Escuto, depois, a enchente.
Longe, a água desobedece a paisagens.
O rio toma banho de troncos,
raízes da água se soltam.
Sigo de catarata, luz encharcada.
E peço desculpa à margem:
desconhecia as unhas de minha transbordância.
Meu sonho está cego para razões.
Sei só escrever palavras que não há.

Depois, o sono me encaracola:
estou a ser pensado por pedras,
me habilito a chão, o desfuturo.

03/11/2009 por michelccc

Hoje li uma frase no facebook que me lembrou desta outra frase: O escritor não escreve aquilo que ouve, nem o que o houve, o escritor escreve aquilo que sente.

Para mim, compor é fazer caber as alegrias e sofrimentos dentro de uma canção. É claro que tem vezes que as palavras faltam e o sentimento é tamanho ou tão abstrato e indizível, que nos apossamos de canções alheias para poder senti-los ou tentar torná-los palpáveis. E isso também é belo.

Que outro caminho senão a arte para expressar sentimentos? Sejam eles de alegria ou de sofrimento. E dentre as artes, por que não a música?

Por isso concluo que me encanta inventar músicas e poesias para que caibam dentro delas minhas alegrias e sofrimentos. Mesmo que ainda haja espaço para acomodá-los dentro de mim.

Só mais uma alienação aleatória.

.

 

30/10/2009 por michelccc

Olha só o que eu achei… não foram cavalos marinhos

http://tinyurl.com/ybzllk8

30/10/2009 por michelccc

Versos da minha poetisa predileta, minha irmã Milena.

Aqui eu, o mundo lá fora
Os outros que passam
Lugares que não conheço
(regresso sempre aos mesmos lugares)
O mar um pouco distante
Os bichos fora da cidade
As amizades em forma de pessoas

Estão lá, e movimentam-se
Ao movimentarem-se torcem laços
Quebram cacos, criam rugas
E os ossos doem.
Mas torcer para que não se movam,
Ou ficar eu aqui excessivamente estável
São providências que não constroem.

Por isso eu faço um verso:
Meu corpo só descansa
Minha alma só se lava
E eu só me ligo ao resto
Com a ponte da palavra

E às vezes elas me faltam.

30/10/2009 por michelccc

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amigos

29/10/2009 por michelccc

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28/10/2009 por michelccc

I’m only sleeping
The Beatles

When I wake up early in the morning
Lift my head, I’m still yawning
When I’m in the middle of a dream
Stay in bed, float upstream

Please don’t wake me
No don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

Everybody seems to think I’m lazy
I don’t mind, I think they’re crazy
Running everywhere at such a speed
Till they find there’s no need

Please don’t spoil my day
I’m miles away
And after all
I’m only sleeping

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time

Lying there and staring at the ceiling
Waiting for that sleepy feeling

Please don’t spoil my day
I’m miles away
And after all
I’m only sleeping

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time

When I wake up early in the morning
Lift my head, I’m still yawning
When I’m in the middle of a dream
Stay in bed, float upstream

Please don’t wake me
No don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

26/10/2009 por michelccc

das antenas…

26/10/2009 por michelccc

23/10/2009 por michelccc

Cool!

22/10/2009 por michelccc

hehehe

21/10/2009 por michelccc

Quadro da sauna da fazenda do Bieto… genial!

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Feriado na Ilha Bela

21/10/2009 por michelccc

Feriado Carpe Diem na Ilha Bela.

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21/10/2009 por michelccc

“A noite tem um silêncio que me dá mais vontade de falar. Pena que todos estão dormindo. ” Fabrício Carpinejar

21/10/2009 por michelccc

ITCH – O novo blog da Ambulance está NO AR!

Estamos lançando o novo blog da Ambulance (agência que trabalho).

Abaixo uma animação bem classe que foi postada lá esses dias.

21/10/2009 por michelccc

33a Mostra Internacional de Cinema

Tava dando uma olhada no site, tem uma porrada de filmes rolando em várias salas de SP. Começa na 6a feira e vai até o dia 05 de Novembro.

21/10/2009 por michelccc

Alberto Caeiro
XIII – Leve

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

20/10/2009 por michelccc

“Assim, aqueles que se juntam durante as noites e se entrelaçam em uma volúpia agitada fazem um trabalho sério, reúnem doçuras, profundidade e força para a canção de algum poeta vindouro que surgirá para expressar deleites indivisíveis.” R.M. Rilke

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18/10/2009 por michelccc

Piano Stairs

18/10/2009 por michelccc

Não costumo postar ações de marcas por aqui, mas esta achei bem classe.

Foi criada pela DDB e Volkswagen. A ação foi chamada de Fun Theory e foi implementada em um metrô de Estocolmo, na Suécia. Até os mais preguiçosos optam pela escada “tocante” ao invés da rolante. Deve ser divertido, ainda mais voltando da balada bêbado. Dá saudades de morar na Europa quando vejo essas coisas…

16/10/2009 por michelccc

Hoje vou no show do Paulinho da Viola. Acho que vai ser bem classe. Lembro que, em 2003, tive oportunidade de encontrá-lo e conversar com ele  na casa do Pedro em um jantar comemorativo do lançamento do documentário “Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje”. Cara simpático e sorridente. Um dos músicos que mais admiro, não só pelo som e poesia, mas também pela postura e estilo de vida.

16/10/2009 por michelccc

TODA DESPEDIDA É FALSA
(trágico é que alguns acreditam)

Por Fabrício Carpinejar

Tensionados, não existe escolha, existe precipitação. Alguém pedirá para sair.

Estamos os dois adoecidos, nenhum tem condições para ajudar o outro. Seu jeito de ser cuidada é diferente do meu jeito de ser cuidado.

Vou remando as bordas da camisa. Minha lentidão é despedida. Quando todo gesto se torna relevante por ser irrelevante. Não desloco os cotovelos porque os músculos argumentam que não vale a pena. Demoro nos movimentos singelos como levantar a xícara de café. Ele já esfriou e não sofro com isso. Não sofro com coisa alguma. O maior sofrimento é não sofrer. É quando não há nem mais ânimo para sofrer. E conhecemos a apatia da dor, um cansaço inacreditável e resta a canção sem a letra, resta a vontade do poema e sua desistência. O pensamento vem e apago. Não me interessa apanhá-lo. Passo a ser meu único leitor. Não tenho esperança de que ficará emocionada, que me avisará que foi um susto desnecessário e me acalmará para dormir em seguida.

Maravilho-me com seus cílios e não comento. Maravilho-me com suas pernas brancas, os joelhos lisos, e não sopro nada. Maravilho-me com sua boca graúda e não me inclino a acompanhá-la. Beijar é andar de lado no cavalo.

Permaneço sentado nas mãos. Solteiro dos anéis que não vieram. Se chover, então, vidro-me na varanda sem mexer o tronco. Torço para que a chuva demore. Não suportaria os conselhos das calhas.

Sou a completa anulação de sentido para me movimentar. Espero que pule da dor para me abraçar. Que tome uma atitude, que não me magoe. Mas sei que o entusiasmo é frágil. Podemos supor que estamos recuperados e logo afundaremos novamente no delírio. A cabeça nos engana e as pernas não mandam os últimos boletins.

Repare que o soro fala devagar como a gente nesta hora. Tão devagar que engolimos de volta a pronúncia, o soluço, o sim.

Acordei desejando mandar flores. O mesmo arranjo que enviei na primeira vez. Iria colocar junto sua canção de Ella Fitzgerald. Recuei de bobo. Achei que não mudaria nossas dificuldades.

Pensei em buscar um prato bem bonito do seu restaurante favorito e deixar em seu trabalho, já que não que terá tempo para almoçar. Mas retrocedi de novo. Achei que não contaria com tempo para agradecer.

Acovardo-me de gentilezas. Falta a esperança de que serão compreendidas. Ou que me procure com meus apelidos pelo caminho salteado do jardim.

Chegamos ao caroço, onde os temperamentos se definem, onde não há mais a concessão dos primeiros meses. A carência é um caroço. Por isso é duro atravessar. Não é mais aquela facilidade da polpa, de atravessar com o embalo do suco. É agora que seremos pedras num canto ou seremos raízes.

Arrebento-me de arroubos, arrebatamentos. Mas a realidade é longe de minha casa. Não há amigo que me transmita o que tenciono escutar, que arranque o pessimismo poroso das folhas. Anseio por algum médico que nos avise que temos poucos meses de vida; é o suficiente para reunir as forças.

Você é intensa, mas sua intensidade não costura para fora. Eu sou intenso, mas minha intensidade costura para fora antes mesmo de comprar os tecidos. Sei que não entendo nem metade do que já sentiu por mim. Por absoluta ausência de comunicação. Sei que não entende nem metade do que sinto por você. Por absoluta ausência de paciência. Eu preciso ouvir, você não precisa falar, nos amamos desinformados.

Maldita chuva que começou. Os relâmpagos são gravatas azuis em terno escuro. A sobriedade das sobras. A chuva sempre está vestida para velório. A chuva lava bagunçando. Deixa tudo mais sujo. Muito mais verdadeiro.

Pretendia dizer que

A solidão é cheia de boas intenções.

16/10/2009 por michelccc

João e Maria / Feira de Mangaio – Yamandú Costa e Dominguinhos

14/10/2009 por michelccc

Nos rendez-vous c’est pas comme dans les films et ça fait rire les pigeons…

13/10/2009 por michelccc

Estrada do Sol – Yamandú Costa e Dominguinhos