08/12/2009 por michelccc

Djavan – Para-raio

mais uma no parc guell…

02/12/2009 por michelccc

what a night train…

02/12/2009 por michelccc

se não podemos saber o destino, escutemos o fado…

27/11/2009 por michelccc

Ana Moura – Fado de Pessoa

Ana Moura – Búzios

Aldina Duarte – Deste-me tudo o que tinhas

Deste-me tudo o que tinhas

26/11/2009 por michelccc

Esse eu não conhecia… que viagem.

Afinal
Álvaro de Campos

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d’Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

Sursum corda!  Erguei as almas!  Toda a Matéria é Espírito,

Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda!  Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam

Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda!  Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,

Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.

Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!

Sursum corda!  Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,

Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.

Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.

Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.

Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte …

Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.

Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,

A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh’alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!

25/11/2009 por michelccc

saudade de ficar ali sentado no parc guell… saudade de Barcelona…

25/11/2009 por michelccc

Cena no filme Cartola – Música para os Olhos. O filme é foda, a música é foda e o mundo é realmente um moinho, caro Cartola… e dá voltas… e voltas… e mais voltas.

24/11/2009 por michelccc

se mar rima com amar
é porque boiar no mar
é quase estar a amar
só fica faltando o “a”,
artigo feminino,
para no mar banhar-se comigo.

19/11/2009 por michelccc

das antenas revival… gostava…

18/11/2009 por michelccc

Macro e micro. É mais além…  Já imaginou se estivéssemos de ponta cabeça em uma bola flutuante no meio de um espaço infinito, dando voltas numa bola fogo. E pensar que esta bola de fogo é uma entre 100 bilhões de bolas de fogo gigantescas, isto só na nossa galáxia. E quantas galáxias existem? Vai vendo…

18/11/2009 por michelccc

Sometimes the space looks like a psychedelic butterfly
Now fly! Fly so high, so far…
You, crazy butterfly
So many miles …
So many lies …
Why?
Tell me why little giant buttlerfly…

18/11/2009 por michelccc

O som não me apetece, mas as animações… mto foda

18/11/2009 por michelccc

17/11/2009 por michelccc

16/11/2009 por michelccc

13/11/2009 por michelccc

Taí um texto lindo, da minha querida amiga Mari. Mari é puro carinho e sempre me recebe com um afago confortante e um elogio verdadeiro (elogios sempre são verdadeiros, hehhehheh). Se Mari fosse vela não apagaria jamais e ainda traria consigo o fogo para acender e iluminar todos que estão ao seu redor. Não vejo a hora de ter em mãos o meu exemplar, com dedicatória, claro!

Quando as velas apagam
por Mariana Portela

Eu carrego em meu ventre um sonho. É tão belo e tão grande que ultimamente tenho dificuldade em caminhar. Minha alma está toda imbuída por ele. Por vezes, sinto que não devo falar sobre isso às pessoas. Guardei-o até esse instante como um desejo de aniversário. Ninguém pode saber, senão não se realiza.

As velas do meu bolo já estão apagadas. Não dá mais para sentir o delicioso exalar da parafina. Decido, pois, ser a hora de confessar. Não sinto que energias diabólicas sejam capazes de infiltrar-se, nessa minha curta encarnação.

O inescrutável sonho meu é um devaneio de livro. Quero transformar minha virtual existência em um bloco de capa dura, contornos leves, páginas com orelhas.

Essa escrita que serei, não contém um romance com personagens redondos. Não sou Machado nem Guimarães. É qualquer coisa que navega mais solta, mais inconsciente e, quiçá, dantesca. Posso não chegar às cem páginas. Volume significa profundidade?

Fiz um ninho para esse meu livro. São inúmeras cordas de violão. Contudo, há uma maciez-algodão-doce na concepção do berço que possibilitou as cordas a deitarem tenras. Tive o auxílio de um músico maestro, na construção da morada. Ele as deflorou por mil anos, até que elas atingissem a maturidade dos humildes. Como soam bonitas, as notas do meu leito inventado!

Eu pouso sobre o refúgio arquitetado para as minhas letras. Acaricio as palavras com o calor de Juquehy, numa tarde inesperada de maio.

Pouco a pouco, vou me transfigurando. Sinto o sabor das árvores nos pés. Um papel opaco, grosso. E tão cheio de vida! A tinta está me tatuando inteira. Acordo a cada manhã com mais e mais versos nas mãos. Não é difícil reparar a encarnada cor em minha aparência. Meu mundo todo tingido em vermelho escuro. Néctar de uva, face rosada dos enólogos.

Que Deus ilumine minhas divagações! Meu Deus, ponha em meu caminho o espírito altivo do poeta das lesmas. Permita a mim ser batizada nos mares da claridade. Na transparência insuportável de Clarice.

Se um dia puder ensaiar sorrisos nos lábios de alguém, ai, terei alcançado a integridade. Se eu for capaz de recordar uma só pessoa! A minha poesia também é de pouca modéstia. Anseia lágrimas. Vislumbra só um leitor em comunhão com as minhas cóleras. As minhas confissões deixando de ser minhas, agarrando as unhas cósmicas da Humanidade.

Nesse dia, quando estiver enfim nascida, experimentarei a embriagez primeira. Serei a única ébria pronta para a morte. E repousarei meu epitáfio no interior da livraria.

13/11/2009 por michelccc

não vejo a hora…

barra

 

13/11/2009 por michelccc

“…e a força nunca seca, pra água que é tão pouca.”

11/11/2009 por michelccc

Há 5 anos não encontro meu amigo chileno Toto – o melhor malabarista que já vi na vida. Ele me ensinou alguns truques em Barcelona, dentre eles, o truque do piga. Achei esse vídeo dele no youtube. Surrealismo o que o cara tá jogando!

 

10/11/2009 por michelccc

Os dois horizontes
de Machado de Assis

Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

09/11/2009 por michelccc

 

04/11/2009 por michelccc

“Miudádivas, pensatempos”
Mia Couto


Estou sem texto, enriquecido de nada. Aqui, na margem de uma floresta em Niassa, me desbicho sem vontades para humanidades. Entendo só de raízes, vésperas de flor. Me comungo de térmites, socorrido pela construção do chão. No último suspiro do poente é que podem existir todos sóis. Essa é minha hora: me ilimito a morcego. Já não me pesam cidades, o telhado deixa de estar suspenso ao inverso em minhas asas. Me lanço nessa enseada de luz, vermelhos desocupados pelo dia.
Nesse entardecer de tudo vou empobrecendo de palavras. Não tenho afilhamento com o papel, estou pronto para ascender a humidade, simples desenho de ausência. Na tenda onde me resguardo me chegam, soltas e díspares, desvisões, pensatempos, proesias. Assim, em miudádivas ao poeta:

A primavera cabe dentro do grilo.
Cigarras se alfabetizam de silêncios.
No liso da parede,
a osga se prepara para transparências,
adquire a forma do nada.
Enquanto o ramo vai transitando para camaleão.

Na mafurreira,
sobem ninhos de arribação, ovos do arco-íris.
A aranha confunde madrugada com sótão,
artefactando materiais de orvalho.
Ela se mantimenta de esperas.
Minha tenda se engrandece a teia.

Uma mosca se inadverte na armadilha.
Igual o amor
que me rouba os mecanismos de viver.

Formigas transportam infinitamente a terra.
Estarão mudando eternamente o planeta?
Estarão engolindo o mundo?

Insectos sonham ser olhados pelo sol.
Mas só a chama da vela os vela.
Já o ovo é iluminado por dentro,
tocado pela luz do infinito.
O ovo repete o total início,
redundante gravidez do mundo.

Por isso, este surpreendido ovo
não tem competência para meu jantar.
Pena o estômago não entender poesias.

Nada se parece tanto: poente e amanhecer.
Defeitos na tela do firmamento?
Instantâneas aves,
pedras que se despoentam.
A noite acende o escuro.
Tudo semelha tudo.
Só a coruja atrapalha a eternidade.

Está chovendo horas,
a água está a ganhar-me semelhanças.
Escuto ventos, derrames de céu.
Parecem-me luas e são lábios.
Lembranças de minha amada.
A tua boca me ilude, sou culpado de teu corpo.
Saudade: sou mais tu que tu.

Escuto, depois, a enchente.
Longe, a água desobedece a paisagens.
O rio toma banho de troncos,
raízes da água se soltam.
Sigo de catarata, luz encharcada.
E peço desculpa à margem:
desconhecia as unhas de minha transbordância.
Meu sonho está cego para razões.
Sei só escrever palavras que não há.

Depois, o sono me encaracola:
estou a ser pensado por pedras,
me habilito a chão, o desfuturo.

03/11/2009 por michelccc

Hoje li uma frase no facebook que me lembrou desta outra frase: O escritor não escreve aquilo que ouve, nem o que o houve, o escritor escreve aquilo que sente.

Para mim, compor é fazer caber as alegrias e sofrimentos dentro de uma canção. É claro que tem vezes que as palavras faltam e o sentimento é tamanho ou tão abstrato e indizível, que nos apossamos de canções alheias para poder senti-los ou tentar torná-los palpáveis. E isso também é belo.

Que outro caminho senão a arte para expressar sentimentos? Sejam eles de alegria ou de sofrimento. E dentre as artes, por que não a música?

Por isso concluo que me encanta inventar músicas e poesias para que caibam dentro delas minhas alegrias e sofrimentos. Mesmo que ainda haja espaço para acomodá-los dentro de mim.

Só mais uma alienação aleatória.

.

 

30/10/2009 por michelccc

Olha só o que eu achei… não foram cavalos marinhos

http://tinyurl.com/ybzllk8

30/10/2009 por michelccc

Versos da minha poetisa predileta, minha irmã Milena.

Aqui eu, o mundo lá fora
Os outros que passam
Lugares que não conheço
(regresso sempre aos mesmos lugares)
O mar um pouco distante
Os bichos fora da cidade
As amizades em forma de pessoas

Estão lá, e movimentam-se
Ao movimentarem-se torcem laços
Quebram cacos, criam rugas
E os ossos doem.
Mas torcer para que não se movam,
Ou ficar eu aqui excessivamente estável
São providências que não constroem.

Por isso eu faço um verso:
Meu corpo só descansa
Minha alma só se lava
E eu só me ligo ao resto
Com a ponte da palavra

E às vezes elas me faltam.

30/10/2009 por michelccc

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amigos

29/10/2009 por michelccc

no_smoking

28/10/2009 por michelccc

I’m only sleeping
The Beatles

When I wake up early in the morning
Lift my head, I’m still yawning
When I’m in the middle of a dream
Stay in bed, float upstream

Please don’t wake me
No don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

Everybody seems to think I’m lazy
I don’t mind, I think they’re crazy
Running everywhere at such a speed
Till they find there’s no need

Please don’t spoil my day
I’m miles away
And after all
I’m only sleeping

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time

Lying there and staring at the ceiling
Waiting for that sleepy feeling

Please don’t spoil my day
I’m miles away
And after all
I’m only sleeping

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time

When I wake up early in the morning
Lift my head, I’m still yawning
When I’m in the middle of a dream
Stay in bed, float upstream

Please don’t wake me
No don’t shake me
Leave me where I am
I’m only sleeping

26/10/2009 por michelccc

das antenas…

26/10/2009 por michelccc